domingo, 30 de dezembro de 2012

De meus desejos à valsa.
Meu cântico à tuas queixas,
meu mórbido às suas deixas
De contingentes à sua ala.

Pernoite vasoso, escapolindo às auroras
Que, outrora, fulgurosas
Tornou-se cônscia e foragida
de mim e de ti, maldita!

Ah, inda que , do lúgubre pesar
Deus queira, da cova, difamar
Inda que , da tumba abite
Cardíaco a ti, que palpite!

Calo-me, assim serás
Simplificado no ópio mortífero
Exalrido no poço ibero
Suplicando minha vida à Barrabaz




Oh god, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

domingo, 23 de dezembro de 2012

Proclamado às injúrias a clave solitária da noite, no sereno, no frio e abraçando a penumbra.
Clara chama, ardente, transfunde às veias tu aurora, teu único estado, tua expressão cósmica.
Meu silêncio não dorme, apenas contorce na calada do escuro.

Vim ver a lua.




R.
Fez-se chaga do passado, retrato do presente, tende a será...
amenhecido, em bruma, constipado nos lençois, nas frestas e no suor entupido de prazer.
Fulgidos lapsos de utopia, caido na introspecção de ser fim.
Moras em mim, não ti, não eu, mas sim só, somente:

as ruelas do ébrio a vir.





R.
Sou toda gota de sede que escorre de teus lábios macios.Sou todo sopro que empurra suas madeixas coradas do sol.
Sou todo o desejo que sacia teu corpo.
Sou todo teu, findado no ser, na carne e em tudo o mais.
Simples e resumidamente...teu!

R.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Sopro do Leste, o que o traz ao ínfimo cemitério meu?
Aviso-te, inda que, de efêmero riso, ei de ser feliz pelo curto período, tranpondo o fluido que escorre de meus olhos.
Sou todo um pecado, uma decepção, estagnado na sublime culpa de vir a ser sempre o mal.
Eu sou mal que invade meu corpo, eu sou mal que exacerba feitios de uma psicose louca e viciada.
Eu sou toda a culpa que transborda em Adão e a maçã.
Eu sou todo só, caminhando na escada retrógrada da solidão.
Ígnea depressão, louvo-te!
És o meu fim.
Adeus!





R.

(O diário de um poeta vencido.)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Senão eu, quem irá crer naqueles a quem recebe o olhar desviado?
Um dia anterior senti a necessidade de partilhar meu sorvete com um mendigo que, com o calor e a labuta diária, clamava por algo que lubrificasse não sua garganta, mas suas córneas gastas de tantas mãos que negaram ajuda.Ele precisava que alguém partilhasse algo com o mesmo.Precisava de um gesto.
Precisamos renunciar, muitas das vezes de nossos desejos, de nossas satisfações para proporcionar ao outro a oportunidade de saciar, ao menos uma vez, o desejo de tomar um sorvete gelado em meio ao sofrimento do cotidiano.

Tornei-me feliz em ceder meu doce ao garoto que sorria, se lambuzando e agradecendo pela satisfação momentânea de suas papilas, de sua pele arrepiada e de sua tão prazeirosa luta...
pelo dia agônico que virá.

Quem derá eu pudesse distribuir alegrias duradouras para aqueles que necessitam, ao menos uma vez, de uma dose de alegria.
Amanhã irei passar por outra rua, com vários picolés nas mãos e sorrindo abestadamente para aquels a quem você renegou no semáforo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Transborda-te em mim, enxágua-me de vida, faz-me afogar no túmulo de saliva precoce, faz-me algo, eu quero ser.
Torna-me Leviatã de tuas ondas, beba-me em teu leito de fecunda utopia.
Deixa-me sem norte, sem céu, sem dor...
Banha-me de alegrias verdadeiras, banha-me de corpo e alma, ocupa meu sonho, torna facto tudo que tende a esvair com o vicioso querer.
Quero-te sempre, mas nem sempre irei ser e ter.
Sou teu vento e você a minha moradia.
Sou teu banhista nesse imenso oceano de causas...
minha sina.


R.(no ônibus, olhando o mar)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Acordei com um chocolate quente, fui dar beijo no papagaio, peguei a bicicleta e fui sentir o vento, indo até a praia.
Ascenei para os motoristas e sorria para o asfalto quente, pedalava sem pressa, aproveitando cada giro da roda e cada ofegar violento que expelia.
Me sentia alegre, apaixonado, abobado.
Parei de pedalar no começo da areia e fui andando em direção ao mar.Senti calafrios e nostalgias.
Senti vários abraços apertados, senti vários momentos compartilhados.
Deitei na água, chorei, gritei e enfim, depois de uns bocados, me senti vivo.
Deus, eu estou vivo.

...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Talvez seja isso.Perco-me em mim, sou fruto de todo o sentimentalismo que esvai dos córregos de meu jardim.Não são as pessoas que me fazem paixão, sou eu quem me faço.Eu sou cúmplice de minha própria deturpação.
E então, toda nossa concepção de belo e bondoso, apaixonante e nostálgico, maléfico e doloroso é a marca, o êxito de todos os nossos torpores, de nossas idas e vindas na mais célebre orquestra da vida.
Infelizmente isso implicará que outrém é nada mais que nada, um seco, um papel borrado.
Outrém é o encontro de minha consciência com os meus desejos.
Somos meros fantoches de nossos olhos.

R.

domingo, 18 de novembro de 2012


Aqui me encontro, afetado pela esquizofrenia da escória, vomitando a injuria que teima em entopir minha garganta.
A ignorância tornou-se luz, o sangue virou ópio, a vida tornou-se industrializada.
Eu não queria ter que me adaptar às cores da televisão e nem ao carro do ano. Eu não queria  ter que me adaptar a promiscuidade entorpecente dos rótulos da felicidade, lacradas com selo da mais alta hierarquia de canalhas que promovem o fim da originalidade do ser.
Teimo em acreditar na esperança do povo que se esfacela nas calçadas, que se suicidam pelo voto limpo e pela compaixão dos bilderbergs.
Choro ao ser noticiado que o sangue nativo, histórico e cultural é derramado pela insaciável rotação de poderes e fobias.
Encolho-me quando assisto o povo aplaudir a atriz enquanto se faz dinheiro bélico, proporcionando ainda mais o desagregamento das massas.
Parem de sorrir enquanto há motivos pra chorar, sejam verdadeiros e tenham compaixão. Abram a cabeça, mas abdiquem às informações de falsos profetas. Tenham esperança em suas causas mas não sejam tolos em vislumbrar fantasias em suas metas.
E por favor, não deem continuidade a automutilação, pois dos olhos já renuciaram.
Cegamo-nos, em ato covarde, por amor a si.
Minha alma, já em retalhos, agoniza ao último pensamento:
Afinal, quem disputa sua supremacia mental?Você?

( é um curiosidade saber o que se aloja na cabeça esmiuçada dessa porcalhada, tô puto, prontofalei)

R.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Beba-me em doses de euforia.Sacia-se de minha labuta por teu sorriso.
Finca-me em ti, terás de coragem para fê-lo?
Surpreenda-me!
A sensação bucólica e transcedente de experimentar a própria alma, abraçar o eu, viver o que há por dentro de toda a camada de pele, músculos e ossos.
Agudo no espírito cada lapso, cada fervor que fulguras de minhas entranhas, de minhas vestes a fora, emergindo para o além, onde permeia e perambula o inato, o pustulento e com toques de uma epigênese escandalosamente pecadora.
Ohh garganta, de injúrias mais, sondas na poça de sangue de suas crateras escancaradas, de suas feridas latejantes.Regurgita o clamor aos céus, implora sua deixa do que atina e finca sua perspectiva de vida.Grita, cospe, exala toda malevolência da dor, encrustada nos abismos da tendência que assola o fel querer.
Os conceitos ultrapassados esvaindo da carne, o soluço se calando e perdendo a razão, a alquimia mudando de fórmula.
Tudo promovendo o mais belo espetáculo do ser, explodindo em tripas, saciando o chão, a queda e enfim, a ascensão.
Quando mais além de toda a cena, aquietada pelo silêncio das incógnitas, o corpo padece, permitindo a entrada do novo e belo, talvez incerto, talvez duvidoso.Deve ser essa a beleza de sensibilizar sua conduta: assistir o medo permitir o que virá.

R.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Tornei-me cônscio do poder do tempo quando dei-me a tal força.Não cronológico e sim psicológico.Percebi que os conflitos, embora coagidos pela avidez do tempo, não se dispersaram, muito pelo contrário, continuavam fincados no profundo éter do ser.
Tornei-me em verdade quando parti de um princípio atemporal, incessantemente conciso.É claro, toda causa passou a ter moldes e não mais um sentido figurado e metamórfico.Toda essência dava pra ser apalpada e sentida, era concreto e vívido.Eis a questão:
- enquanto não desgarrarmos dos grilhões do que foi ou tende a vir, estaremos aprisionados em expectativas e tendências, em certezas insoluveis e em um moralismo hipócrita, partindo da alusão do ego em ápice, forjado a partir do medo e da culpa em aceitar o relógio como cura.
E foi assim que dei um tempo.
Dei um tempo de mim.Senti a necessidade de me preservar.

R.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Desde pequeno abominava o intermédio das coisas, a dualidade das vias.Nunca brinquei no meio-fio, ou eu estava completamente na rua ou estava na segurança da calçada.
Os fatos que tendem a ser também exalam um ar repudiante de inferioridade.
Tudo que não é, é fraco, miserável.Se é pra ser, que seja.Ficar andando na corda bamba com medo e indecisão em qual lado cair é mesquinho e imaturo.
O que não é, tende a ser momentâneo, posto vantagem para involução do ser.
Até quando irão caminhar na linha cruzada?
Não há vantagem que se estenda, quando perceberes o fardo da consciência culposa cairá em prantos, cospindo em tua própria chaga.
A pena finca em sua flexível conduta, sua introspecção é bombardeada com dúvidas exatas, paisagens futurísticas do que é e do que não é.
E tudo o que resta são sobras de ganância intrínsecas a vontade de relutar por sua alma fraquejada.É triste, é realmente muito triste.


R.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Aos poucos leitores que visualizam meu blog, peço encarecidamente desculpas.
A qualidade de meus posts ultimamente tem caído, posto que minhas inspirações se esgotaram por falta de sentimentalismo.Misturo, também, a falta de tempo, agora estou um pouco mais ocupado e um pouco mais afastado do gigante universo que se encontra em meu crânio.
Encontrei, esses dias, com uma revolução mental, isso fez com que uma dualidade tremenda adentra-se em meu santuário de pensamentos.
Algum dia irei transcrever perfeitamente(espero) todo o fluxo de ideias que tenho em mente.Espero alegrar o cérebro de vocês e também bordar o coração dos(as) abobados(as) que leem os posts de meu pseudo-romance: diário de um poeta vencido.


Obrigado.R.
Nauseado ao ver a Tv, olhando um zumbi vestido de ET
pirraçava a todos que viam, o traje, a quem sorriam.
Malditos sejam os colares que abrilhantaram a cabeça desmiolada
impondo ordens, fantocheando uma imagem enlatada.
Chorou horrores após o impasse; submeteu-se às mãos que o empurrasse
de volta à gênese consumada; oh, Deus, entregue ao nada.
É uma pena, ferido, calado e maltratado, voltou ainda mais vaiado
por uma lição revolucionante e astuta, céééus!Essa era me assusta!


R.

Dou-te minha vida e mais uns trocados
Fê-la tua e em posse, transfigure
Abrace-a e beije-a em bocados
Consuma-a a tal e suture

Aperte e agarre, sufoque
Torne-a intrínseca e completa
Na mais inquietante insanidade repleta
De átrios com mãos de Enoque

Pôs-se comua e margarida
Condensada, corada e varrida
Por um comitente nostalgiado
Pela deixa do feto intragado

Aqui jaz a ambiguidade
Molde-se em um único verso
Tratado a mim simples e submerso
Em um amor cheio de vaidade.


R.

(nunca mais um poeminha)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Decreto: aqui jaz o além-eu.
Nada mais aterra o querer, nada mais se vincula ao meu ser.
Desgarro de meu peito não somente os desejos falhos mas como também a essência fétida daquilo que atrasa minha evolução.
Não é uma questão egocêntrica, por mais que, notoriamente, o desmembramento daquilo que enchergamos como inevitável e essêncial é posto como terceiros planos.Sequer planos os tenho.
Surrupiou e sintilou feito cometa adentrando o azul escuro.
Quando notares que a dependência é um conceito esdrúxulo de fracos manipulando a verdade, deparar-se-há com toda a malevolência do eu, o só.
É deus de teu universo, pondo que aceite o multiverso e não intervenha nos mesmos.
A grandeza plena do espírito é alcançada somente na solidão de (...)

cont. D:

R.

domingo, 12 de agosto de 2012

Continuava apreciando o coro das cigarras úmidas, com uma xícara de chocolate quente na mão e um gorro  na cabeça com felpas soltas.Estava distraído e bagunçado, tanto por fora quanto por dentro.Passava horas ouvindo zunidos e bebericando meu chocolate, não era entediante, era calmo, coisa de que precisava em tanta guerra por hegemonia cardíaca.A dor, o vazio, a felicidade espontânea e disparidades continuavam com suas exigências de posse, e eu, como tolo, era o campo de batalha delas.
Cintilava estrelas cadentes e poeira cósmica dentre o opaco céu.O frio enraizava-se na camada pustulenta de silêncio e a entorpecente nostalgia socava-me o estômago.
Tudo era fadigado e cheio de luz de outdoors.
Vá entender essa bosta que escrevi...só eu mesmo.


R.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Deixe-me livre, ao menos uma vez, mostrar-te-ei a flexibilidade de meus movimentos e a infinidade de compassos que elaboro quando esquivo de seus olhares agressivos.
Vai, deixa-me mostrar, ao menos uma vez, que minha liberdade não é tanta para teus braços e abraços, de teu escarnio e de teu vácuo.
Ao menos uma vez, deixa-me conviver comigo, deixa-me desdenhar os laços que outrora suturava minha alegria.
Clamo, ao menos uma vez, deixa-me solidão, doce solidão.

R.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Estou vivendo em uma era medíocre, em um santuário de acéfalos.
Bêbados sorrateiros encontrados em esquinas abandonadas, bêbados inconformados com a prostituição de sua conduta.Uma conduta fraca e pobre.
Estou vivendo em campo de concentração de débeis entrincheirados com bocas de pronuncias transcritas, de vozes sem força e coração enrijecido.
A felicidade é industrializada em cápsulas de prazer e em micaranas recheadas de beldades sexuais.
As famílias sacras se opondo ao atual e comente a gafe de não ser original e fiel, de ser forte e verdadeiro por meras desculpas de adaptação.
E aceitam como se não houvessem solução.E aceitam como se fossem a razão.
A certo tempo atrás eu era considerado um normal vivendo ao lado dos diferenciados, mas percebo que o torto sou eu e todos os outros embriagados....são os normais.
Que era medíocre estou vivendo!



R.

domingo, 8 de julho de 2012

De bruços, deitado num canto qualquer, vislumbro a agitação de meu passado.A euforia consumia-me, a ignorância completava-me.Os desejos, até então, eram um fardo fictício, escorrendo entre músculos e ossos sucateados.
Lembro-me como cultivava felicidades escorregadias e de como o céu era frouxo e colorido com pipas.Disputava escárnios e engolia tijolos de dor, o que ainda faço.
As metas eram feitas de algodão doce, derretiam fácil; os circos apresentavam palhaços e não ilusões.A bagagem de viajem eram pijamas e não latas de cerveja.
As brigas da TV eram animadas e coreografadas, hoje são policiadas, infectadas e desalmadas.
Os rótulos eram brilhantes e pareciam comestíveis, hoje só percebo o quão era ingênuo de minha parte acreditar em suas caretas.
As festas duravam 2 horas e o prato principal era brigadeiro, o bolo solado da vizinha sempre era jogado no teto e eu nunca irei saber qual era o nome das donas que eu perturbava ao tocar inquietantemente sua campainha.
Minhas feridas eram curadas com saliva, hoje só tempo as curam.
Em um canto qualquer, nostalgiava a falta de ser criança, em sentido físico, literal.
Hoje, em um canto qualquer, sou criança, no escuro, mas só por alguns minutos.Essa coisa de evoluir rapidamente me acelerou um pouco.Eu não queria deixar a melhor parte da felicidade de lado.
Ainda uso pijama de dinossauro para dormir.



R.
Há um sótão vazio em minha casa.Costumo perambular no escuro que ali existe, fico me divertindo com a inexistência e o sabor de solidão que aquele comodo exala.
As paredes com tinta seca descascada sofrem o tempo.Chora e padece, cala!
Não há energia, nem sequer um lampião ou talvez um fósforo.Não há luz alguma, não há brilho, não há umidade e companhia.
Tudo é seco e escuro, é tudo tão... triste.


R.

domingo, 24 de junho de 2012

Acabou.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Retraído no beco da alvorada
tateia, cego, o ente em sua morada.
Derrotado pelo eco passageiro
e torto pelo seu amor derradeiro.

Surge cinzas, bordéis, parques e algozes
princípios esdrúxulos, surdos e ferozes.
Bíblias monótonas e atrozes
sussurradas em milhões de vozes

A falta, a falta que faz
Lapida um monstro voraz
Posto e capaz de crer
que tudo há de vencer

Ah, derradeira, abandonastes teu lar
Viajando nessa nau em alto mar
Inda a vinda pernoite a ilusão
(porque não ser mais um triste...)
vivendo em solidão?


R.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Acordei com vontade de sorrir, abri a janela e escancarei os braços de preguiça; meu ombro estalava feito fogueira e minha boca abria mais que cancela de bar de faroeste.Mas eu estava feliz.
Sabe aquela felicidade espontânea?Aquela que contagia sem sentido e permanece misteriosa?É estranho, mas quem se importa, veio em um momento bom.
Caminhava pela casa ainda sonolento e me esgueirava em qualquer canto bruto que desse.Tomei uma ducha  lentamente e me vesti com uma tendência de velho.
Passei por vários bares de esquina e uma boutique vagabunda, assinalava preços baixos e produtos subalternos.
Pisei em algumas poças e sorri para velhinhas descansando nos bancos da praça.Assustei alguns pombos e inalei perfume de algumas flores.
Tudo era simples e alegre.
Não gosto de nada exagerado; tudo que é simples me encanta e me cativa, me compra.
Outra vez um senhor me comprou pelo relógio, perguntei as horas e ele logo saltou um relógio que parecia ser de 1953, me dizia que era a única presença sólida de um pai ausente, eram 14:17.


R.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Curto música clássica e leio bíblia online; gosto de escrever e contagio-me fácil por um sorriso lindo; ando devagar e sem pressa.Não assisto TV; não vou a cultos fajutos de ilusão de óptica; sempre que necessário costumo enaltecer meus pontos fortes.2/3 do dia é vivido em outra realidade; meu fluxo de pensamentos transborda sempre que anoitece.Meus cadernos tem mais rabiscos de poesias que assuntos copiados; não considero minha cama um dormitório, mas sim um templo para orar.Vigio a vida em outra pessoa.Nem sempre gosto de companhia; prefiro a casa vazia e com música rodeando cada canto dela.Pessoas demais me incomodam.Sou caseiro e um bom chá gelado é a melhor opção para qualquer refeição.Antes de dormir eu converso com meu Deus e peço desculpas pelos meus atos falhos.Falo com meu papagaio baboseiras , ele só gosta de mim nessa casa, deve ser porque eu ignoro-o.
O céu de minha janela é diferente das demais janelas, nela dá pra ver as nuvens sorrindo e a lua daqui brilha mais do que em qualquer lugar; à noite, passo de um retardado qualquer para um culto filósofo de meia idade, questionando os empasses da vida e sobre a sujeira acumulada no umbigo das crianças suadas.
Gosto de poucas cores e nunca como fruta; tenho mania de acumular plásticos por preguiça de jogar no lixo.Minha mente é sempre dividida por 3 opiniões de um mesmo tema, isso porque a dúvida é minha grande aliada, ela é quem alimenta-me sempre.A flexibilidade de tudo me faz perecer, posto que razão literalmente não haverá, é tudo uma linha torta, com preguiça de se esticar.
Minhas sobrancelhas são gigantes e sem desenho; penteio o cabelo com a mão e coço a garganta sempre que como acarajé.Aprecio livros de auto-ajuda e ainda mais os que trazem filosofias diferentes; sudoku é um dos jogos que mais gosto.Sempre que sento em algum local costumo balançar as pernas, não por agonia, faço isso sempre para me acomodar e ficar bem em um local, tanto que o faço toda vez antes de dormir, em meu templo.
A casa onde moro não tem cortina, é trágico, queria que tivesse para não olhar a rua; não tenho medo de morrer, tenho medo é de perder a oportunidade de completar minhas metas.
Serei um pai extremamente coruja, gosto de crianças que ainda não atingiram o grau de discernir, esse aspecto é tão contagiante e nada superior.Às vezes acho que as pessoas que acham as crianças com síndrome de Down bonitas são tão superficiais que o fazem como um modo a mais a ser aceito como aquele que tem uma fofura em nível alto.De vez em quando eu é que invejo essas crianças, tão debeis e fechadas, não sabem 1/100 do que se passa no mundo que vivem, essa ignorância é tão linda e singela, é tão inocente que me inveja.
Nem sempre curto facilidades, o que me faz caminhar e insistir nas coisas é o prazer da dificuldade que exalam, é empolgante!Gosto de teorias mirabolantes e gosto também de inventá-las, se um cara da NASA abrisse minha cabeça e transfigurasse meus pensamentos o mundo teria o dobro do peso, 5 segundos depois explodiria todo o universo e um outro vizinho.
Não sei o que é pistache e vou continuar sem saber, deve ser algo bem inútil pra se ter ocupado na cabeça, deixo para os sorvetes
E tudo que escrevi aqui não é nem 5% de meu ser e falo a verdade, há muito mais coisa, põe coisa nisso.Deixo os 95+% para as paredes de meu quarto, o computador e as pessoas que leram até aqui, devem se importar comigo ou só são curiosas.

R.

domingo, 17 de junho de 2012

Não ligo de ser rejeitado por uma cúpula de esquizofrênicos.Vocês fedem!
Então larga, pois de mim, nem os suspiros ouvirão.Nem minha pena terão.
Voltem para a tumba, dejetos de filantropos fajutos, artificiais e carcerários.
Voltem para o buraco!


R.

domingo, 10 de junho de 2012

Era madrugada e eu continuava chutando cacos de vidro espalhados na avenida.Titubeava nas pedras e cascalhos que lá existiam.Sangrei a ponta do dedo.Sorri feito um louco perdido em sua misantropia.

Escalei penhascos ao entardecer.Tossi acúmulos de treva e fogo.Pus-me no alto à planejar coisas sem perspectiva.Engoli lápides sólidas e enraizantes.Contei migalhas por infinitas pluralidades.

Vivia em sonho de major, onde a estrela do peito fixava-se firme e brilhante, cuspindo indiferença e elegância.
Driblava todas as relvas que prendiam-me ao amanhecer, posto atraso e pecado.

Entrincheirei-me em covas de homicidas solitários, esperando uma companhia menos fosca e mais banguela.
Resolvi alegrá-los contando-lhes dos meus dedos ensaguentados.

Julgavam-me louco.Um louco dentre os mortos.




R.

Pois hoje me contradigo.
Tem caminhos que vieram pra marcar, tem pessoas que vieram pra ficar e desejos que vieram pra ensinar.É como se tudo fosse planejado para que sua trilha fosse pegando o rumo.Como se cada partícula que se pôs intrínseca aos seus planos fossem, de fato, fadadas a estarem ali.
Queria eu que nada fosse embora, que ficassem e me animassem  por mair horas entediantes do meu solitário e desanimado dia.
Onde está o "para sempre" que não se faz jus?
O clichê me traiu e a dor do afastamento consuma-me lentamente.
Se forem embora, por favor, levem um sorriso meu.


R.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Faltam-me palavras.Faltam-me ícones e motivações.Falta-me ânimo e até mesmo uma colher de açúcar no café da manhã.Faltam-me abraços calorosos e um bom dia sussurrado carinhosamente.
Falta-me aconchego para os prantos e carícias para os empates da rotina.
Falta-me tapas no ombro guiando-me a um lugar vivaz.

...

domingo, 3 de junho de 2012

Te peço, cativa-me um pouco mais que prometo, por Deus, prometo te levar para um lugar melhor.
Mostrar-te-ei toda a felicidade que cabe em meu peito, toda a trapaça que faço para manusear teus cabelos, ou talvez mostrarei as máscaras que uso para encarar determinadas situações.
Te levarei ao médico quando precisar e te aquecerei em dias de chuva.Darei lições de moral quando necessário e te morderei bastante, mas com cuidado para que sobre mais pedacinhos n'outro dia.
Faria canções e cantaria com uma voz forçada de cantor de bar.Escreveria poemas de 400 versos, todos rimados e exalando desejos e emoções.
Pintaria o quarto com teu nome e usaria o perfume que mais te agrade quando nos encontrássemos.
Contaria uma piada sem graça só pra olhar com desdém e assim rir pelo meu aspecto bobo.
Gritaria felicidades toda vez que ligasse para mim.
Mas só te peço, cativa-me um pouco mais.


R.
Ando muito estranho, não paro mais nas esquinas e nem olho quando atravesso a rua.Não dou boa noite e um simples obrigado é expelido como vômito.As beatas da igreja projetavam uma imagem derrotada de fim de era.Os mendigos me olhavam como se eu fosse um deles.A lua tinha deixado de ser uma grande amiga para, agora, ser uma observadora, quieta e rancorosa.
As poças de chuva agora não só acumulavam minhas brilhantes gotas mas também todo o meu pigarro.
Tornei-me vítima.É doloroso.
Fizeram-me desacreditar em todas as ideologias e esperanças que outrora coloquei em suas cabeças.
Ando muito estranho, não paro mais em minha cama de madrugada, procuro caminhar pelas ruas desertas, no sereno e na companhia de minhas dores.
Eu cansei das pessoas...


R.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

E, desde o princípio, fui obrigado a seguir um padrão imposto por algozes da alma.
Meus dentes são imperfeitos tal como meu cabelo e meus jeans rasgados e sujos.Minha conduta é ultrapassada e toda e qualquer atitude de respeito para com o outro é, supostamente, adotada como maquiavélica e anárquica, mas nunca altruísta.Meu sonhos são irrelevantes e impossíveis, minha boca sempre pronunciará conceitos fajutos subalternos.
Mas eles, eles vão sempre estar acima, com seus ternos polidos de "Benjamin Franklins"'.Com seus conceitos épicos de moda, filosofias regradas de como ter uma vida perfeita e um fundo monetário entupido de falsas alegrias.Tudo deles são realmente dignos de exalar uma vitória cancerosa.Públicos de uma utopia que calha num fracasso psicológico.Um fita repetitiva: faça o que tem que ser feito, de acordo com a sociedade.
Eles criaram um tempo onde carros cromados com lágrimas são mais dignos de posse do que um livro à mão, escrito: desobediência civil.
A burrice é comercializada e a misantropia é um estilo de vida.
Tudo isso fede e mesmo que tenha algum anarquista no topo, o mesmo só servirá de arauto do fracasso.
Quem dera eu viver num mundo onde amor se prega em estádios; as pessoas discutem sobre odor de pum e a televisão um símbolo de como não evoluir.
É, uma coisa eles têm razão, meu sonho é impossível.


R.
É interessante quando ensina-me seu esporte da moda.Tento, feito bobo, ser o melhor aprendiz.Riria envergonhadamente dos meus tombos enquanto tu dirias carinhosamente: " é assim, no início, não se preocupa."
E mal sabe como isso me conforta.
Por me ensinar, eu gostaria de lhe ensinar algo em troca.Não sou muito bom no futebol ou com algum instrumento.Lhe ensinaria a estalar colunas; é algo bem inútil mas divertido, para mim.
Na verdade, eu lhe ensinaria não para que soubesse estalar mas para que risse de mim por esse talento inútil.É, eu queria ver seu sorriso.E consegui.
E quando tu hidrata os lábios e ejeta teu sorriso... Ah!Que sensação boa.
Envergonhadamente dou-te um abraço, um pouco apertado, no intuito que não saísse dali jamais.Enquanto você, por reação, completa-me com teus braços à minha volta.
Eu sorrio sem graça e bambeio a perna, enquanto você é acolhida imensamente por meu corpo.
Sabe, meus olhos viram a mulher mais linda da noite, mas saibas que, em meu coração -independente da noite e de outras que outrora apreciei-, torna-te eternamente linda, tão somente a mim.


R.
Entristece-me pensar que deixou-me ir, assim, ao leu, feito desprezo, poeira...
Ainda, meio torto, recordo das minuncias que apartaram nossos corações, nossos caminhos.
Os trajetos não mais compartilhados, os sorrisos não mais feitos de alegria espontânea.
Nada mais brota no campo imaculado.Sobra-me sobras inúteis, partículas que tendem a ser e não é.
Atualmente, cada passo que dou, emerge dele flores majestosas, mas tudo é uma camuflagem...essas flores são tristes, choram e calam ao ver-te seguindo brilhantosamente outro caminho.
Seria tudo tão duradouro e feliz que pairou em meus desejos.Será que tudo não passou apenas de uma fantasia notoriamente falha?
As madrugadas não serão as mesmas quando eram compartilhadas contigo.
Lembra das estrelas em forma de carinho?Hoje elas transformaram-se n'algo desfigurado, sem sentido.
Talvez porque, todo o sentido que pude achar pra felicidade eu estipulei-a em ti.
Você era minha felicidade...
E hoje, o que sobra, é somente um abismo de murmúrios, baixos e insignificantes... o que sobra é apenas um vazio esmagador, desconfortante, estonteante.
Eu preciso porque preciso, pois, senão, nada em que outrora construído e labutado perderá o sentido de existência do mesmo.
Eu preciso porque preciso, conciso e bruto, nada a menos, tudo às bordas, que sobre, mas que sobre sussurrros bons, cafunés, abraços, você...
Eu preciso porque preciso de nós dois até o fim, factuando, iminente e firme.
Eu preciso porque preciso...


Diário de um poeta vencido - R.
Sentados num punhado de grama em meio a areia, conversávamos sobre futuros promíscuos e atos falhos, soberba, vodka, calcinha comestível e borrões no céu.
Bebericávamos  chá gelado e nos contorcíamos sempre que nossa posição tornava-se desconfortável.
O céu, em uma metamorfose única, fez brotar uma lua, algumas nuvens sem nexo estrutural, estrelas vagabundas e solitárias, entre outros enfeites que só Deus explica.
Analisávamos cada ocorrência e ríamos, feito filósofos de meia idade.Apontávamos defeitos visuais em cada pessoa que passava perto da gente e fazíamos uma história para cada uma delas.
E por mais que parecesse monótono, ela mudaria só pelo fato de estar presente a mim.
Não importaria o lugar, a hora, a conversa, as pessoas à volta, portanto que ela estivesse ali, comigo, bebericando algo e conversando abobrinhas, me abraçando ou beijando, tornaria tudo perfeitamente completo.
Depois de amanhã iremos pedalar, desde já preparo minhas falas, meus trejeitos e meu coração, o resto, eu deixo por parte do destino.
É simplesmente mágico.


Diário de um poeta vencido - R.

domingo, 27 de maio de 2012

Ébrio louvo o vento que invade minha morada.
Ciente calo o abismo que ruge afora.
Os becos que sussurram em minha caminhada
Fazem-se pranto, ópio e chora.

Quão seja tentador cada trilha descaminhada
Meu ser imprime-se brando e ardiloso
Esquivando-se da sombra mal tragada
Formando um movimento singelo e formoso

Ahh, vida!Que desdém manuseia minhas linhas
Outrora fantoche, outrora anárquico
Outrora aposse, outrora não me tinhas

Sentado, sinto o vento apático
Onde fulguroso vinhas
Cair nesse corpo tácito
De relvas e entranhas minhas

Maldito seja o cume da solidão
Mesmo em tumba e fétido expelia
À garganta teu ópio me corria
E cabisbaixo, fragmentos caem ao chão

Inda assim, a brisa em mim continua
Onde sigo ao encontro de ti e embora
Más línguas fazem-na comua
Em ti, a felicidade em mim, mora.


R.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ninguém falou que seria fácil.Na verdade, ninguém se pronunciou, não era necessário.
Fui fadado a cair, contorcer e expelir os pigarros e contratempos que se alojaram em minh'alma.
Toda e qualquer circunstância que levou meu corpo a fraquejar foi por, muitas vezes, desacreditar que eu não suportaria a dor sozinho.
Acredite, você só sente dor porque é capaz de suportá-la.Isso que tu sente fisgar o peito é somente um aviso de que o momento o fará mais forte e capaz, lhe fará crescer, amadurecer, ascender.
Não há contratempo ao ser que é ciente do poder da dor.
E, para mim, não há nada mais belo que ser e ter um corpo ambulante, entupido de cicatrizes e desfechos, coagulando a essência de viver num mundo febril e artificial.

R.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Quando tudo aqui parece desmoronar, basta olhar-te miraculosamente, inebriar-me com tua vivacidade e acalentar-me com o sonho de ter-te, um dia, um mísero dia, acomodado somente em meu espaçoso coração egoísta para manter-me firme à rotina, não que sejas duro, mas necessário.
Não lhe reverencio, não lhe inalo, trago, abraço, calo, beijo; simplesmente aprecio-te de longe, quieto, mudo e sorrindo.
Traz-me vontade às preguiçosas preces, filosofias de causas perdidas, centelhas de esperança para essas causas, outrora perdidas.
Faz-me parecer débil num mundo de "pseudo-intelectuais-moralistas-sensacionalistas" acomodados.
Faz-me parecer o único são em meio a tantos iludidos.
Esconde aquele velho segredo que lhe disse num momento de aflição e também daquela outra quando murmurei sobre as estrelas estarem atrapalhando o teu espaço.
Te conto,mesmo assim, quando tudo aqui parece desmoronar, consigo estar em pé para, ao menos, apreciar esse luar esplendoroso que promoves nesse céu tão disputado.

R.
Errôneo de minha parte chutar as pedras que um dia passou a atrapalhar a estrada da felicidade.
Eu as recolhi e empilhei-as n'uma estante selecionada do meu quarto.Coloquei-as para que eu possa vislumbrar a maestria de suas existências.Era essencial da parte delas estar em meu caminho, e, por isso, rego-as todos os dias como se fossem flores.
Com esse cuidado, elas me retribuem exalando vitória.

R.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Aparenta ser algo infantil essa coisa de viajar em seus sonhos.Aparenta ser adulto viver as obrigações de sê-lo.Aparenta ser feliz aquele malabarista em seu espetáculo circense.Aparenta ser triste aquele pagão uivando aos céus freneticamente.
Muita coisa aparenta ser o que interpretamos de antemão, mas não é.


R.
Acredito que a desculpa mais fajuta é aquela de aceitar o que você realmente acha que é.Isso se chama comodismo, aceitação, fracasso.
Tenha ciência de algo, as pessoas mudam de acordo com as circunstâncias de necessidade.Pressão e amor são algumas.Não é exatamente uma mudança forçada, basta entender que os fatores que te levam a mudar são em prol de seu desenvolvimento psicológico, social e físico.
A mudança é ,desde sempre, necessária para a formação de um ser.Não aceite o que você é.Aceite o que você tende a ser.
É o que eu acho...


R.
N'outro dia, peguei-me apreciando a chuva da madrugada, tão silenciosa e fria, tão momentânea e só.
No mesmo instante em que a gota pura de chuva solitária toca meus dedos, sinto meu corpo arrepiar.Ponho minhas mãos em concha e deixo que a água preencha aquele oco.Algumas gotas esvaem pois não as fechei corretamente, mas inúmeras delas ainda ficam em minha posse.
E, naquele momento, criei um vínculo com o líquido que se molda a mim, como se ele fosse feito pra estar ali.Sorri olhando para o fato.
Seria interessante se as pessoas se fizessem chuva, por mim, fadiga alguma iria fazer com que eu desatasse aquele elo com as mãos.Tornaria meu oco um lugar mágico de lágrimas do céu, mesmo em madrugadas frias, silenciosas e sós.
Eu amo a chuva.

R.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Judiou-me como não deveria judiar.Quebrou meu sentir como não deveria quebrar.
A ferida lateja lágrimas surradas de conquistas em vão, de infelicidades e vagabundas alegrias.
Pulsa, em meu peito, o rancor de sua deixa, inda que sua presença sufoque minha harmonia, prefiro a morte a ter outra alma a alimentar.
Se, por mera hipótese, eu não te ter até meu último suspiro, o significado que estipulei por toda minha existência simplificará num desejo vencido de um poeta fracassado.
E se, de minha cova eu ainda não habite, implica que meu esforço por sua vida fulmina à brisa de torpores que nos entrelaça.
Meu bem, vou perder-me um pouco, se interessas em vir para onde acredito que seja seu lugar, saiba que terás, de teu amado, tudo que sua essência consiste e em meu ser, enfim intríseco ao seu, toda a minha milagrosa labuta, transfigurar-se-há em nosso lindo universo.

Diário de um poeta vencido - R.
Cá, penso que as pessoas tem uma cabeça atrasada para certas situações.
E por esse fato, muita das vezes essas pessoas de pensamento/ação retardada costumam a relembrar dos fatos e de como deveriam reagir sobre esses, onde, outrora, reagiu de uma forma que calhou em arrependimento.
Pense só um pouquinho antes de tudo.Agir por impulso não é uma escolha, também não significa uma desculpa já que, após o espontâneo notoriamente sabemos que cada feito emergiu da inconsciência.

bla, bla, bla (pensamentos)

R.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Estamos perdendo essência.Estamos sucumbindo...
É essencial notar o quão longínquo estamos indo em termos de grau de insanidade.Veja, por favor, peço encarecidamente que perceba como os fatos estão desgovernados, como a trilha que, outrora fadada por hérois do milênio, está sendo surrupiada e desalmada pela geração agridoce atual.
Veja a puta oferecer sexo anal a 40R$; as fontes de energia defecarem corrupção social; a economia mundial jogada em um turbilhão de problemas.
O rico vivenciando e aplaudindo as carências do pobre.A cortina de fé perdendo o brilho.Os filósofos questionando a própria doença.Guerras nucleares em constante intimação.A objetofilia humana.Veja, veja em que hospício estamos cadastrados.Veja os bares entupidos de psicólogos; as mães lutando pelo câncer do filho e os filhos regugitando sobre as cabeças de suas mães.As classes sociais entrincheiradas, expelindo sua desigualdade e, iludidamente, sua pseudo-superioridade.
Veja o preço da comida ser mais cara que o chip de seu celular.O custeamento do oxigênio.As fábricas expelindo trabalho humano para fortificar-se com uma artilharia tecnológica.
Veja o amor envenenado pelas incógnitas dos parceiros atualmente postos a valorizar o prazer momentâneo.Veja as festas cada vez mais iluminadas, oferecendo excitação em cápsulas, rótulos e cabeças ocas.
Veja, meu amigo, veja em que crosta vivemos e a que ponto chegamos.Chegamos a ponto de industrializar a própria vida e tudo é tão transparente... transparente ao ponto de vermos nossa auto-destruição à olhos vistos.


R.

terça-feira, 24 de abril de 2012

O vazio chora o paradoxo da vida
Imaginar que tal poder
Foi capaz de sentir e crer
Faz-me nausear à culpa ferida.

Ela anda aleatoriamente
perambula nas distrações
intimida os grandalhões
e cala o crente

Por onde passa o estrago emerge
Fruta podre ascende
O bom santo padece

A chaga do colarinho branco sorri contente
A puta agoniza o filho imaculado
Nessa vida, prefiro ser morto à acabado.


R.
Sei que posso parecer fraco afirmando que necessito do teu cheiro, da tua risada ou de sua ousadia perante a mim diariamente.Por mim, mais vale ser fraco que infeliz.Sabe, por mais que certas coisas não deveriam ser ditas para que não implicasse no "doar demais e receber de menos" eu necessito que saibas que sem você, o dia é comum.Não, não digo que sem ti eu não vivo, amores vão e vem, apenas mudamos os atores desse papel.Mas preciso de ti a cada instante se eu quiser tirar uma lasca de sorriso da boca.Deve ter sido erro meu estipular minha felicidade no papel que é alguém me completar.Eu deveria colocar a felicidade em tragos de cigarro, porres de whisky, gomas de mascar ou alguma outra coisa inutilmente corrosiva, só pra dar ânimo.
E ainda sim, suspirando possibilidades desagradáveis teimo em dizer o quanto és essencial, tão somente a mim.



Diário de um poeta vencido. - R.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Parecia até o meu primeiro encontro, escolhendo minunciosamente as falas e os gestos.As vezes não acreditava que iria passar algumas horas ao teu lado, te fazendo um carinho, contando vantagens ou pagando um suco de laranja.Era único saber que ficarias comigo por algum tempo, tempo divinamente valorizado.Eu sabia que minha boca iria tremer, meus pés bambear, suar bicas e ficar enlouquecido com uma repentina gagueira.Iria ficar desengonçado com minha pose deselegante, embora achasse aquilo o máximo; controlaria ao máximo a mania de coçar a coxa quando fico nervoso.Era um teste psicológico, um atentado à minha vergonha, mas eu queria estar ali contigo.Faria de tudo pra aprensentá-la um homem ao seu futuro.A única coisa que não sabia era que aquele encontro... não, te conto uma outra hora.É até chato para mim, entende?





Diário de um poeta vencido - R.
Não cabe mais em mim esse verso blasfemo
Quando, de sua boca fez-se o fétido
Já não acreditava nesse sentimento polêmico
Dou, agora, à razão, todo o mérito.
A vida, agora, vincula minha alegria a dor
Porque flores e pássaros
Oceanos, cais e bálsamos
Só me fazem odiar mais o amor

 Diário de um poeta vencido - R.
E quando, do alto, te vi estrela, pus-me ajoelhado a contemplar-te
Deu-me uma vontade imensa de pegar um foquete e visitar-te
Mas, com todo esforço de encontrar-te, apenas consegui chegar a Marte
É, adiciono mais um fracasso ao meu diário, eu acho que faz parte.


Diário de um poeta vencido -  R.

terça-feira, 17 de abril de 2012

E quando, de teu olhar fiz-me feliz, pairei no éter astral, vislumbrando como os cosmos estavam ao nosso favor.
O teu olhar... é um vício pra mim.
Estipulei minha felicidade naqueles olhos radiantes.Tão lindo quanto saturnos.
Embreaguei-me com a dança dos teus olhares inatentos.Quando os direcionará a mim?
É uma orgia de cores e expressões...Arh!Surrupiou-me a alma!
E quem quando ser como você, não haverá eu...
(...) será tarde demais!

R.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Naquele monte, onde titubeio pensamentos, encontrei a mim.
Sou uma mistura de duas vozes que disputam por supremacia mental.
São totalmente opostas e vinculá-las é quase impossível.
É interessante viver na dúvida de quem alimentar e sempre ópto por alimentar a parcela que os iguala.
Acabo sempre alimentado o ego... é errado.


R.
[podre]

No vácuo desta solidão
Onde vermes fazem morada
Não brota um só grão
Nem vestígios de caminhada

Tu passas longe de mim
Parece ter medo do real
Te peço: não sejas assim
Embarque nessa nau

D'onde o frio surge
Sei que calor ascenderá
Em que sensibilidade nos une
Não só isso nos unirá

Joga-te em meus braços
Sem medo de cair
Pois vou fazer de teus traços
Motivos para sorrir.

R.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Em tal carne esplendorosa
cores fulgidas e engenharia formosa
Impecavelmente se mostra singela
lábios, traços, voz bela...

Conjuntamente com teu abraço
átrio espaçoso, firme me faço
Onde zelo e carinho se encontra
Ohh, vida!Lá não há afronta!

N'outro tempo irei retribuir
Cada mão que me resgatou ao cair
E em cada cova que meu corpo irá sucumbir.

A ti, te devo o mundo
De paisagens, pássaros, tudo junto
Só pra me iludir que assim
devendo sorriso, afeto e afim
Te verei feliz...

R.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

De esplendor macio e astral
De brisa leve e sons de cardeal
Faz-se tenra e delicada a cada gesto
Vislumbro tal beleza ao qual me infesto

Parece bobo cada rima especulada
Em cada verso, palavra despaltada
Mesmo que não se faça sentido
Por ti, faço aqui, agora e contigo

Faço soneto, poema, algo que agrade
E por favor, que nenhum lapso tarde
Pra ver sorriso límpido e amoroso
Contigo criei um laço vistoso

N'outrora os versos que se acabem
Mas agora todos eles se partem
Para um lugar onde tudo terei dito
Será em teus braços, que em mim, se fazem o infinito


R.

terça-feira, 20 de março de 2012

Olho o relógio, bate 21:47 e ainda estou ao lado do meu melhor livro e do meu melhor whisky, do meu sofá de estofado italiano e da minha vitrola passada de época.Prefiro passar meu tempo longe de coisas fúteis, passageiras.Me contorço no sofá e folheio o livro, as palavras ecoam em minha mente.Sinto uma cãibra na perna esquerda e então mudo de posição.Sinto que falta algo, acho que o porre ainda não bateu, maldito whisky vagabundo.Tomei 3 doses de vez, me senti um pouco tonto mas nada fora do comum.A merda estava começando a funcionar.As letras já começaram a ficar turvas, a luz parecia piscar em tons de verde, vermelho e amarelo.Saltei do sofá, fui até a cozinha e abri a geladeira, pensei em algumas mulheres, nas suas bundas e decotes; pensei no Cristo redentor e como foi que fizeram pra construí-lo; tentei lembrar da cor da minha cueca, mas não obtive sucesso; avistei o resto do almoço e o peguei.Essa geladeira me fascina, sempre me faz lembrar e pensar em coisas absurdas.Cheirei o almoço pra ver se estava tudo em ordem, tenho essa mania de cheirar as coisas, n'outro dia me peguei cheirando a sujeirinha do umbigo, o cheiro lembrava mofo.Fui garfeando o resto do almoço.Acho que é automático do meu corpo comer algo quando começo a entrar num porre.Joguei a metade da comida, prefiri o porre à sanidade.Tomei mais algumas doses e me deitei no sofá.A vitrola tocava um blues surrado mas dava pra levar.Logo ia pegar no sono, o álcool tinha efeitos aleatórios em meu organismo e hoje estava me matando de sono.Antes de adormecer, pensei: notoriamente sou um bicho incomum, mas prefiro minha noite assim, acompanhado apenas de coisas que não vão me deixar.
E assim adormeço.


R.

Perco-me por descrer no amor.Sinto-me infestado pela mais alta hierarquia de esquizofrênicos que tomam o desejo como o princípio e fim de tudo.Objetófilos, utilizando a carne como objeto.-Seu corpo me delicia, sua vontade me enoja e teu silêncio me alimenta.- Merda de situações passageiras... consumismo exacerbado, desejos moribundos, fanatismo ignorante... nem comento.